Separadores

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Pensamento - nada renasceu...

O Blog está de volta!

A todos aqueles que estiveram à espera, peço desculpa pela demora. A verdade é que, por motivos pessoais (escola, final de secundário, exames, notas, médias, ingresso na Universidade, etc) não tenho tido nem tempo, nem disponibilidade mental para me dedicar à escrita. A reforma deste meu espaço está, no entanto, concluída.

Espero que gostem!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Pensamento - nada 37: Carta a Rapunzel

21 de Junho de 2013

“(…) You've built your wall so high
That no one could climb it (…)”

Rapunzel:
A Física Quântica julga ter provado que estamos todos ligados por uma infinidade de partículas. Logo os religiosos se apressaram a interpretar esta descoberta como a prova científica de Deus.                                                                  
Como panteísta auto – didata que sou, acredito nessa ligação, sim, e que a sua força é diferenciada, mediante as características individuais e as relações socio-afetivas estabelecidas (uma pessoa realmente fria, ou muito alienada, como um autista, por exemplo, nunca poderá estabelecer ligações muito fortes; a relação de vinculação estabelecida entre qualquer indivíduo e o seu agente maternante é mais forte de todas).                       Assim, isto aplica-se também aos amantes (ou seja, aqueles que amam, nada está, necessariamente, relacionado com relações sexuais). É desta forma que procuro explicar o que se passa comigo; é que quando amo, eu sei. Não há outra forma de o dizer: simplesmente sei. Sei quando a pessoa me mente, sei quando a pessoa me trai, sei quando está feliz ou triste. E foi isso que ocorreu comigo em relação a ti: sei antes de saber, conheço-te antes de te conhecer.                              
Não é por mal, e tu não mostraste nada, eu é que escalei as tuas montanhas e derrubei os teus muros. E até estaria tudo bem, se não to tivesse mostrado. Peço mesmo desculpa, apenas pensei que não querias estar sozinha entre as tuas quatro paredes…fui estúpida, porque se as criaste, por algum motivo foi, não é? Sinceramente, magoou-me que denominasses por “sinal de fraqueza” aquilo que eu entendo por criação de laços de intimidade. Porque, por esse prisma, eu não tenho feito outra coisa que demonstrado “sinais de fraqueza” nos últimos quatro anos.               
Mas não te preocupes, Rapunzel. És forte, a Sociedade não te viu, só eu. E és forte, muito forte, sim. Tiveste que o ser, para carregares essas pedras, construíres essa torre, não foi? Recolhe os cabelos. O Dragão está vivo, e aqui o Príncipe vai-se. Não te volto a vir buscar, a não ser que mudes de ideias.             
Mas por favor, não te esqueças: forte não é só o que constrói a torre e a defende; é também aquele que tem coragem para deixar entrar o Amor. Não subestimes esse tipo de força.  
Maria Luís J. Martins

quinta-feira, 20 de junho de 2013

terça-feira, 18 de junho de 2013

Pensamento - nada 35: Avitaminose

"Às vezes parece que parece que não estás bem. (...) Parece que te falta algo, que te tiraram algo. Um dia de manhã acordaste e não estava lá. Ou então nunca o tiveste, mas só com a chegada à vida adulta tomaste consciência dessa lacuna. Alma quebrada, avitaminose emocional crónica.
Não sei porque que te digo isto. (...) Talvez só queira que saibas que não estás sozinha. Se alguma vez sentiste que estás, isso terminou. Quando digo que te amo estou a ser sincera; não é só vontade de andar de mão dada contigo, ou de te dar algodão doce à boca.
Eu realmente sinto que a minha alma É interligada a tua."

sábado, 8 de junho de 2013

Pensamento - nada 34: 20 (Winnie)

20 ANOS: 20 MOTIVOS

Perdoa-me se vou ser egoísta; este dia é teu…mas segue-se uma lista de 20 motivos (diminuta amostra) de seres um Sol no meu mundo.
1 – És verdadeiramente amiga, compreensiva e paciente. 
2 – Desde que descobri que existe alguém como tu no mundo, já não me sinto sozinha. 
3 – A tua voz deixa-me a suspirar. 
4 – Vejo em ti a minha alma gémea. 
5 – És linda. 
6 – A tua boca é superapetecível. 
7 – O teu corpo é uma delícia. 
8 – Os teus olhos têm uma luz especial e são enigmáticos. 
9 – Consegues ser uma menininha doce e uma mulher forte, ao mesmo tempo. 
10 – És divertida. 
11 – És muito inteligente. 
12 – Amo o teu sorriso. 
13 – Adoro o mistério que te envolve. 
14 – És mais fofa que o Winnie The Pooh.
15 – A cor do teu cabelo faz-me lembrar mel. 
16 – Dás-me vontade de te beijar (muito!). 
17 – Fazes-me querer cuidar de ti. 
18 – Apesar da distância que nos separa, tens o meu coração. 
19 – És carinhosa e romântica. 
20 – Fazes-me sonhar e gostar da vida.

Dizes que és velha, mas alguém como tu já deveria existir há muito mais tempo. És necessária ao mundo, sobretudo ao meu mundo.
Quero passar os próximos 20, 40, 60 anos a teu lado e ser a tua Lua…porque a Lua, sem o Sol, não consegue brilhar.
Deixas?
Parabéns e espero que tenhas o melhor dia de sempre! 



segunda-feira, 20 de maio de 2013

Pensamento - nada 33: Condenado?

Para todos o futuro é uma incógnita, mas arrisco dizer que para ti e para mim, seja ainda mais misterioso.
Entre nós germina um sentimento bonito, puro, de total compatibilidade...entre dois seres separados por quilómetros de azar.
Estará esse pequeno ser afectivo condenado a uma pena eterna de estagnação e solidão.
Pior: estará esse pequeno amor condenado ao desaparecimento?



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pensamento - nada 29: We found love


O reino que te ofereço não é o melhor. Talvez não tenha as colinas mais vertiginosas, as paisagens mais belas...talvez não seja o mais rico, o mais populoso. O reino que te ofereço nem sempre é simpático...por vezes há bosques negros, há caminhos tortuosos, há bruxas malévolas, dragões ferozes e maçãs envenenadas. 
Mas te garanto que de cada palácio, de cada rua, de cada jardim, de cada flor, tu és a incontestável rainha.

Deixa-me fazer-te acreditar novamente no Amor...ele é um gajo porreiro, e nem sempre a culpa é dele. Às vezes sofremos simplesmente porque a pessoa que julgamos ser nossa cara-metade, não o era, de facto. Ou não o merecia ser, simplesmente.
És a minha rainha, a minha deusa, o meu amor. Contigo a minha vida ficou linda. Ainda que estejas longe, sinto que estás sempre perto. Por isso, dar-te-ei sempre o melhor do que puder.
Por ti serei guerreira, por ti matarei as bruxas e derrubarei os dragões.
Só quero que me deixes entrar no teu mundo...
Posso? :)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pensamento - nada 28: Pedaços de leitura, pedaços de mim



"I'm in love with you, and I'm not in the business of denying myself the simple pleasure of saying true things. I'm in love with you, and I know that love is just a shout into the void, and that oblivion is inevitable, and that we're all doomed and that there will come a day when all our labor has been returned to dust, and I know the sun will swallow the only earth we'll ever have, and I am in love with you.” 

sábado, 27 de abril de 2013

Pensamento - nada 27: Boneca de Porcelana

Winnie:

"Só quero cuidar de ti..." 
É, sem dúvida, uma das coisas mais bonitas que já me disseram.
É sincero? Sei que não me podes "prometer uma linda história de amor"...mas queres mesmo cuidar de mim?
O meu coração é de vidro, sou boneca de porcelana.
Sou complicada, insegura...
Vais mesmo cuidar do que temos, essa coisa que achas "especial, mas diferente"?




Por favor, não me partas...

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pensamento - nada 26: Amar-te (em verso)

Deusa-Rainha,
Quero fazer do meu Amor
O teu Altar.

Até surgires, 
Eu não sabia
O que é Amar.

Amar-te é morrer
Para nascer de novo.

Amar-te é florir,
É chorar a sorrir.
É falar Verdade -
A Mentir -
Porque Amar-te
Não é mais 
Do que Sonhar.

Amar-te é o medo 
Omnipresente
De te perder - 
Perder o que nem 
Me pertence -

Amar-te é desejar
O inalcançável 
Constantemente.

Amar-te é ver
Cada dia nascer
Límpido e claro

Amar-te é 
O meu destino:
A flor floresce,
O Poeta escreve,
Eu amo-te.

Amar-te é viver!



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pensamento - nada 25: Uma perspectiva sobre feminismo


Ser feminista é, acima de tudo, respeitar profundamente a mulher (no seu todo: corpo, mentalidade, espírito, sentimentos, interesses, direitos). Ser feminista é não se contentar com pouco para o “sexo frágil” que, afinal, é BEM forte.
Se há alguém com a obrigação de ser feminista é a Lésbica.
Não que todas as feministas sejam Lésbicas - infelizmente, nem todas as Lésbicas são feministas.
E as Lésbicas deveriam ser TODAS feministas porque, logicamente, defenderão, não só, o seu corpo, mentalidade, espírito, sentimentos, interesses, como os do seu amor.
A mulher precisa de ser defendida – não como antigamente, nada dessas donzelas escanzeladas, aprisionadas pelo dragão cuspidor de fogo – mas, sejamos sinceros, num mundo predominantemente machista, tão intensamente capitalista, que essa necessidade de consumo rápido, da mentalidade chiclete-mastiga-deita-fora está tão entranhado nas mentalidades que domina o ato sexual, a maneira como vemos o próximo, como nos vemos, a mulher precisa de ser defendida, sim! Defendida porque, queira ou não, acaba por ser ela o objeto consumido, o produto adquirido e rapidamente tido como lixo quando usado.
Daí que eu diga que a Mulher Lésbica deva ser, mais do que qualquer outra, e por princípio, feminista: seja mais masculina ou mais feminina, mesmo no “micromundo lésbico” (perdoem-me se a pseudodesignação dá azos a diferenciações discriminatórias e menos agradáveis) não estamos livres de ser objetificadas – apenas temos a oportunidade de tratar a próxima como queremos ser tratadas.
Faz às outras o que queres que te façam.


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Pensamento - nada 24: Adão e Eva

Uma vez, um rapaz bissexual disse-me que achava que o "lesbianismo" tinha melhor aceitação na sociedade do que as relações entre homens homossexuais.
Não concordo.

Generalizando: os gays são fofos; as lésbicas são depravadas.

Na cabeça das pessoas, o gay é o decorador de interiores, cabeleireiro, estilista, simpático, adorável, sempre pronto para ir às compras e consolar a melhor amiga.

Na cabeça das pessoas, a lésbica é, das duas, uma: ou a "camiona" de camisola cavada e "feia, porca, e má", ou (venha o Diabo e escolha), a galdéria, promiscua, que tanto dá para um lado como para o outro, que está pronta para realizar a fantasia de qualquer homem que deseja ardentemente realizar um ménage à trois com duas lésbicas - sim, isto porque, importante não esquecer!, qualquer lésbica apenas "virou" lésbica porque ainda não experimentou um pénis devidamente satisfatório!

Portanto, um preconceito dentro de um preconceito, que apenas é reflexo da perspectiva machista de uma sociedade que defende um Adão vitimado por uma Eva sensual e subversiva.

É triste.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pensamento - nada 23: Pedaços de leitura, Pedaços de mim (Mãos)

As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre, O Canto e as Armas, 1967


Está nas tuas mãos o teu destino; molda-o à tua medida. Dá-lhe a forma que pretendes. Não permitas que o esculpam por ti. 
Não te esqueças que a vida é tua: tens de ser o teu artista, e não somente observador de um destino determinado por outrem.

domingo, 14 de abril de 2013

Pensamento - nada 22: Sabor

Gostar de ti é como saber que se gosta de algo que nem se provou. Gosta-se e pronto.
E neste momento sinto a falta de um sabor que nem sei sequer se realmente existe.
Ou se existirá.
Pronto, é isso.



Pensamento - nada 21: Transsexualidade - Mudar é um direito!


Sou uma mulher. Amo uma mulher. Fará isso menos mulher de mim?
O que é uma mulher? O que faz de uma mulher, uma mulher?
Sou mulher. Pelo menos, sinto-me mulher. Tenho seios, ovários e útero – dentro de mim há um pequeno mundo que se rege por um tempo e estações próprias. Tenho o poder de gerar um filho (é certo que não sem a “partícula masculina”) e sem milhares de milhões de mulheres como eu, a Humanidade não teria sido mais do que um sonho tolo do Criador, efémero e imperfeito projeto.
E a minha essência, isto é, aquilo que está para além de órgãos, tecidos, sangue que corre? Será que tal existe? Me define? Será que eu a fiz existir, a defini?
O mais óbvio, o mais fácil, será dizer que somos prisioneiros de um corpo que não nos pertence e com o qual somos obrigados a conviver.
Um corpo, agora modificável pelos bisturi, pelas tesouras, pelos químicos.
Se essa essência existe, temos todos o direito modificar o nosso corpo para que este corresponda ao que somos! 

sábado, 13 de abril de 2013

Pensamento - nada 20: Conto (mais ou menos) erótico

Este foi um conto mais ou menos erótico escrito por mim, há dois anos (por isso, dêem-me um desconto), a pedido de uma amiga que estava apaixonada por uma professora.



Sofia


"Era um sonho - apenas mais um, que provavelmente nunca se realizaria.
A sala era-me familiar: as paredes amareladas revestidas de inúmeras prateleiras repletas de livros, algures o velho relógio de pêndulo marcava, num círculo regular e contínuo, as horas e, lá fora, a bruma desfazia-se em milhentas gotas de chuva que fustigavam a janela.
Mas apesar de me ser tudo tão conhecido, tão familiar, tão igual ao que era todos os dias quando lá ia, logo soube que se tratava de um sonho; sentia que tudo à minha volta se movia numa lentidão desprendida, de forma surreal e paralela a mim, como submergido num líquido invisível fazendo-me sentir totalmente livre, como em todos os sonhos.
Olhei para o meu lado esquerdo: sentada ao meu lado, ela estava lá, o seu rosto contido num ar compenetrado, o seu pescoço bronzeado, as suas mãos grandes, delicadas e suaves…o meu subconsciente tinha conseguido uma réplica exacta do que ela era. Não me admirava. Já vira e revira a sua imagem milhares de vezes na minha mente, já sabia de cor cada traço do seu rosto, as suas expressões, o seu sorriso. Já tantas vezes mergulhara, me afundara, me perdera no seu olhar hipnotizante…
Finalmente, um pouco hesitante, mas determinada, coloquei a minha mão sobre a sua. Os seus olhos cravaram-se em mim. Tomei coragem e fitei-os directamente. Brilhavam, de felicidade. Os meus, tinha a certeza, ardiam em desejo, tal como o resto do meu corpo.
Comecei a perder-me neles novamente, naquele mar aveludado, naquele brilho sedutor e sentia-me totalmente hipnotizada; naquele momento, não existia mais nada no mundo – só eu, ela e o enorme desejo e paixão que sentíamos e que se adensava no ar à nossa volta, à medida que nos aproximávamos mais uma da outra, tornando-se quase palpável, quase respirável.
Sem me consciencializar, levantei-me e ela seguiu-me o exemplo. Quando reparei, estávamos de pé, abraçadas frente a frente. Meto as mãos na sua camisola, de encontro à pele macia das suas costas e sinto-as a viajar de uma forma que a faz gemer baixinho. Estávamos tão próximas que os nossos narizes se tocavam e conseguíamos sentir a respiração uma da outra. Nunca me desprendi dos seus olhos, que por vezes se fechavam, enquanto gemia ao meu toque. Senti-a a arrepiar-se sob os meus dedos a cada gesto meu, o que me fazia desejá-la mais e mais…
Todo o seu corpo suplicava pelo meu. Aperta-me contra si, respirava ofegantemente, balbucia o meu nome. Através da minha linguagem corporal, entende que quero que se vire de costas para mim e logo me obedece. Tiro-lhe a camisola, deixo que se incline para trás, encostando as costas ao meu peito e barriga, e pousando a sua cabeça no meu ombro. Coloco as mãos sobre a sua barriga e beijo o seu pescoço; a sua pele é macia e deliciosa e sinto-me intoxicada pelo calor e perfume que dela se desprendem. Simplesmente, sinto-me totalmente incapaz de parar de a acariciar.
À medida que subo as minhas mãos, a minha boca vai também abandonando o seu pescoço. Mordo-lhe ligeiramente uma orelha, o que a faz estremecer incrivelmente, e quando vira totalmente o rosto na minha direcção para beijar a sua boca, subo definitivamente as mãos de encontro aos seus seios. O nosso beijo vai-se tornando cada vez mais envolvente e quase que vou a loucura quando sinto as suas mãos sobre as minhas, implorando para que apertasse o seu peito com força…
Depois, simplesmente, acordo. Emerjo daquele sonho onde o prazer reinava para a realidade do meu quarto e, ali, por momentos, deitada e agitada na escuridão, sinto-me atordoada e muito, muito sozinha. Estendo o braço para o interruptor e a luz acende-se. Inconscientemente, olho em meu redor: tudo à minha volta se mantém pacifico, quieto, como que em repouso, em contraste com a revolução a rebenta dentro de mim. Levanto-me, abro a porta do meu quarto e saio para o corredor, onde tudo está mergulhado na penumbra, agora um pouco anulada pela luz que vem do meu quarto. Dirijo-me à casa de banho, entro e fecho a porta atrás de mim.
A casa de banho é grande, e aqui a temperatura está consideravelmente mais baixa em relação às outras divisões da casa, o que, neste momento me faz sentir grata.
Olho-me ao espelho: o cabelo desgrenhado, os olhos febris e o prenúncio de umas horríveis olheiras dão-me um ar decididamente tresloucado. Levo a mão à testa e tenho a sensação de estar a arder em febre.
Porquê? pergunto a mim mesma Porquê que a quero tanto?!  
Decido reagir e não pensar mais nesse assunto. Não por agora.
Pego na minha escova, penteio-me metodicamente e prendo os meus cabelos negros. Depois, abro a torneira e, com as mãos em concha, levo a água à cara, sentindo-me imediatamente refrescada. Tiro a camisola do pijama e faço o mesmo ao pescoço, braços e ombros. Limpo-me, saio da casa de banho e regresso ao meu quarto.
Volto à cama, cubro-me, apago a luz e deixo-me afundar num sono profundo e sem sonhos."

Pensamento - nada 19: Ela (fictício)


"Nos estreitos corredores de uma qualquer escola secundária, em qualquer ponto do globo, podemos assistir à aplicação de milhares de multiplicações, resultando em centenas de cópias e plágios: vultos iguais, opacos, fantasiados de sorrisos falsos, de gritos histéricos, de cores berrantes, formando uma colorida massa uniforme.Já ela, formando-se por cores neutras e discretas, tornava-se o mais sobressaído borrão naquela pintura unificada.A sua discrição tornara-a indiscreta." 
Maria Luís